Empresas apostam na Black Friday para incrementar vendas de fim de ano

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Empresas apostam na Black Friday para incrementar vendas de fim de ano

O comércio está otimista em relação à Black Friday. Segundo levantamento feito pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE), dois terços (62,3%) das empresas acreditam que as vendas nesta sexta-feira, dia 24 de novembro, terão impacto no comércio que vai além da antecipação de compras para o Natal. Os segmentos que mais apostam nesse crescimento são os de tecidos, vestuário e calçados, e hiper e supermercados.

As empresas do setor de móveis e eletrodomésticos também estão investindo nas vendas para a ocasião. A pesquisa apontou que, para 85,8% delas, o volume comercializado irá superar o de 2016. Percentual bem maior que os 54,7% da média geral dos comerciantes do varejo ampliado.

“O bom desempenho do segmento (móveis e eletrodomésticos) nos últimos meses contribui para o otimismo com a Black Friday. Por se tratarem de produtos de valor médio mais elevado que os bens de consumo não duráveis e semiduráveis, é razoável supor que esse segmento seja sensível a promoções mais agressivas, que levem a um movimento de antecipação do consumo”, explicou Rodolpho Tobler, coordenador da Sondagem do Comércio do IBRE.

Outro dado de destaque no levantamento mostra que apenas 47,2% das empresas do comércio adotam estratégias de vendas promocionais. Para o economista, o interesse dos lojistas pela data pode ter explicação no segmento de atuação.

“Ainda parece ter algum espaço para aumentar o envolvimento das empresas e também dos consumidores. Mas vale ressaltar que aqueles segmentos em que o consumo se dá por impulso tendem a utilizar de forma mais ampla essas promoções do que os voltados mais para o consumo básico”, detalhou Tobler.

Consumidores cautelosos

Já os consumidores não estão em linha com as expectativas dos lojistas. De acordo com a pesquisa, apenas 8,2% dos entrevistados responderam ter certeza sobre comprar na Black Friday. A maioria (68,9%) declarou que não pretende comprar. Para a coordenadora da Sondagem do Consumidor do IBRE, Viviane Seda, o bom resultado dependerá dos descontos que as lojas prepararam para os clientes.

“É natural esse resultado. Os empresários são normalmente otimistas e sabem que as vendas, com a saída da recessão, devem aumentar. Já o consumidor demonstra intenção de controlar seus gastos. Na prática, vemos isso ocorrer ano após ano no resultado dos quesitos de Natal, em que consumidores dizem que gastarão menos que no ano anterior, mesmo com a economia e o emprego avançando. O percentual (de consumidores) pode chegar a 31,1%, principalmente se o comércio apresentar preços atrativos, boas condições de pagamento e convencer os indecisos a irem às compras”, ponderou Viviane.

Segundo a pesquisadora, o possível pé no freio do consumidor também pode ser explicado pela conjuntura econômica, que começou a dar sinais de melhora mais recentemente. “Apesar da gradual recuperação econômica, as famílias ainda estão com nível de endividamento alto, mesmo após terem priorizado a quitação de dívidas no período de liberação do FGTS. As famílias que possuem menor poder aquisitivo são as que demoram mais tempo para se recuperar”, detalhou.

Os quesitos especiais sobre venda e consumo na Black Friday fazem parte das sondagens do Comércio e do Consumidor. Foram consultadas informações de 914 empresas e 1.759 consumidores até o dia 20 de novembro.

Bate-papo FGV aborda Black Friday

O pesquisador do IBRE, André Braz, participou na semana passada do Bate-papo FGV sobre o tema. Assista à entrevista abaixo:

Fonte: Portal FGV

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