A Avaliação em Matemática em Forma de Teia

Educação | Por: Prof. Me. Hendrickson Rogers em 25/10/2018   
O processo de ensino e de aprendizagem, em contexto escolar, envolve de modo contínuo três etapas, nomeadamente: planejamento, execução e avaliação das ações didáticas. No método tradicional, o processo de avaliação consiste basicamente na aplicação de exames escritos, assumindo, em geral, um caráter meramente classificatório, não fornecendo ao estudante um retorno ou diagnóstico acerca das suas dificuldades de aprendizagem nem opções para que ele supere essas dificuldades. O professor, por sua vez, realiza a correção das provas com o intuito de apenas constatar os erros e os acertos dos estudantes para conferir-lhes uma nota.
 
A adoção dessa forma padrão de exame tem se consagrado nas escolas por algumas razões práticas: (a) é aplicável em turmas com números grandes de estudantes; (b) produz um registro escrito documental do que o estudante produziu em face do que lhe foi solicitado na questão proposta no texto do exame escrito;(c) fornece um critério quantitativo para a aprovação ou reprovação do examinando. A principal crítica desferida ao método padrão de exame escrito é que ele se presta mais à hierarquização e classificação dos alunos do que à avaliação do processo de ensino e de aprendizagem. Muitos autores têm ressaltado a necessidade do desenvolvimento de estratégias de avaliação que permitam a superação dessa ausência de retorno de informações, aos estudantes e professores, acerca dos êxitos e das dificuldades apresentadas por eles no processo de ensino e de aprendizagem.
 
O objetivo principal deste artigo é o de apresentar sucintamente aos leitores do blog da FAN um método de avaliação que permita tanto a autoavaliação do estudante, quanto ofereça: (1) subsídios ao professor para diagnosticar as dificuldades do estudante e (2) opções ao estudante de superação de suas dificuldades na aprendizagem de um dado conteúdo matemático. O método de avaliação, aqui apresentado, será denominado doravante método de avaliação em teia.
 

Ideias norteadoras do método da avaliação em teia

O método de avaliação em teia, aqui proposto, tem como mola propulsora a aprendizagem contínua em ambiente computacional (celulares, tablets, desktops, notebooks etc., conectados à internet). Desse modo, ele pode ser utilizado também em processos de ensino a distância.
 

O método de avaliação em teia

Esse método se situa no campo das propostas de avaliação em ambientes computacionais, tais como aquele apresentado por Soares et al (2009, p. 137). Ele foi realizado com estudantes recém-chegados à graduação em Matemática e “utilizou-se um programa interativo que oferece um banco de questões bem como recursos para a criação de novos exercícios: o WIMS – WWW Interactive Multipurpose Server um programa livre que pode ser acessado através de qualquer navegador web na internet”. Essa é uma das poucas experiências em avaliação matemática mediada por computador conectado à internet, registrada na literatura científica, que temos conhecimento.
 
A avaliação em teia, que aqui propomos, é uma materialização das ideias explícitas e implícitas nesse método de avaliação e que dá continuidade aos estudos dessa temática. O nome teia que qualifica o tipo de avaliação é facilmente explicado pelo formato de sua estrutura não linear – literalmente uma teia de trajetórias possíveis a serem percorridas pelos educandos (LUNT, 1994; LIMANA; BRITO, 2008; BRITO, 2011) de acordo com suas resoluções/respostas, possibilidades estas planejadas criteriosamente pelo educador engenheiro. Essa não linearidade da avaliação é planejada e construída através da opção Formulários do pacote de aplicativos online Google Docs.
 
Também faz parte do planejamento da teia: a definição da quantidade de ramos (trajetos possíveis dos quais deriva a quantidade de mão de obra para quem está construindo a avaliação e o tempo total de elaboração do questionário interativo); a escolha criteriosa (VERGNAUD, 1986) do banco de questões (DOUADY, 1986; ROBERT, 1998), conforme veremos mais a frente, e a quantidade e qualidade (MAYER, 2001) de assistência contínua e imediata a ser dada ao estudante durante seu percurso (SWELLER, 1988, 2003). Algumas implicações imediatas da implementação do planejamento embasado na filosofia da teia: o docente colocará em sua teia uma assistência à disposição do estudante (SWELLER, 1988); o aluno poderá escolher o nível do problema a ser resolvido (ROBERT, 1998) de duas formas: automática e volitiva. A primeira ocorre cada vez que ele errar na solução do problema, pois automaticamente o próximo item (problema) será mais simples dando-lhe ânimo. A segunda forma ocorrerá sempre que o aprendiz se sentir desconfortável com a questão e escolher a opção pela questão mais simples (obviamente que isto implicará uma quantificação inferior de seu aprendizado, pois ele terá fugido de um problema mais elaborado para um que exige uma gama de conhecimentos menor); o avaliando poderá escolher se conclui ou se continua o questionário após uma quantidade mínima (antevista pelo engenheiro) de ramos percorridos; espera-se que o aluno se sinta mais motivado ao usar a tecnologia para sua formação (já que costumeiramente a usa para outros fins).
 
A verificação das trajetórias percorridas por uma sala de aula inteira é facilmente realizada (SOARES et al., 2009). Dito de outro modo, a correção da prova é simples, pois o planejamento e o programa Formulários garantem a visualização fácil pelo avaliador do uso que o aprendiz fez de seu conhecimento. Quando o estudante conclui suas trajetórias, ele as envia online ao professor. Os percursos de vários alunos enviados inclusive simultaneamente, chegam automaticamente na conta gratuita (aberta pelo docente) no Google, na forma de uma planilha contendo todas as escolhas dos avaliandos, possibilitando ao avaliador analisar e quantificar as respostas dos estudantes celeremente. 
 
O leitor/a leitora poderá verificar na prática o conteúdo deste artigo acessando uma teia pronta para o uso clicando aqui. Embora o tema desta avaliação (Sistemas Lineares e Espaços Vetoriais) tenha sido projetado para alunos dos cursos de Engenharia Elétrica e Engenharia Civil, a capacidade adaptativa da filosofia da Teia é bastante perceptível para quem a analisar.
 
Caso você queira mais informações e um manual ilustrado e passo-a-passo para a fabricação de suas próprias teias, acesse Repositório ou Manual da Teia.
 
 
Obrigado por sua atenção e até uma próxima oportunidade!
 
Prof. Me. Hendrickson Rogers