A importância da Estatística e a utilização de Big Data na Indústria 4.0

Negócios | Por: Profª Me. Liliana S. Omena em 08/11/2018   

Texto de Pedro Oberg - aluno Graduação Administração FAN

A estatística pode ser explicada como um ramo da ciência que busca modelar a incerteza e aleatoriedade para inferir conclusões para a estimativa de fenômenos futuros. Ela funciona através da coleta, análise e interpretação de dados. Em suma, é uma ferramenta para interpretar dados.

Aliada à Inteligência Artificial (AI), decorrente do avanço científico em campos como Machine Learning (aprendizado de maquinas que substitui a codificação algorítmica por humanos) e Deep Learning (campo de codificação algorítmica com o uso das técnicas de ANN ou Redes Neurais Artificiais que imitam o cérebro humano), a Estatística é um rotundo campo de apoio para atravessarmos a Era Big Data enfrentando todos os seus inerentes desafios e oportunidades, como na Indústria 4.0 em campos como IoT (Internet of Things).

Fonte: www.researchgate.net

Fonte: www.researchgate.net

A Era Big Data, termo cunhado por analistas da IBM em um relatório divulgado ao mercado há cerca de uma década, consiste, sumariamente, na evolução esmagadora e expressiva do volume de dados em relação à capacidade mundial de armazenagem, processamento e interpretação (storage, analytics e processing).

Embora haja conflito de interesses, pois a fornecedora do relatório é uma fabricante de hardware e software que solucionam os problemas por ela identificados, para compreendermos o contexto figurado é importante avaliar os fatos identificados.

Hoje, segundo o recente relatório "Where does big data come from?" da IBM, calcula-se que 90% dos dados existentes no mundo foram produzidos nos últimos dois anos. Destes, 80% dos dados organizados são desestruturados (ou seja, embora processados não são interpretados).

Fonte: www.forbes.com

Fonte: www.forbes.com

No mesmo relatório, estima-se que diariamente são produzidos cerca de 2,5 quintilhão de bytes (2,5 x 1018 bytes) ou 2,5 bilhões de GB, e que até 2020 serão criados 40 zettabytes de dados (40 zettabytes = 40.1012 gigabytes). Um exemplo ilustrativo e interessante, periodicamente reportado por uma empresa da Alphabet Inc. chamada Youtube, é o upload de cerca de 400 horas de vídeos por minuto no site. Isto equivale, por exemplo, a 65 anos de vida capturados em vídeos e descarregados no site todos os dias (1 ano de funcionamento supera 24 milênios em vídeos).

Soluções de Big Data disponíveis no mercado se voltaram portanto aos 5 V's do Big Data: volume, velocidade, veracidade, variedade e valor. Nestas soluções, a Estatística tem campo em "analytics".

Estímulos assim tem provocado avanços importantes nas áreas supracitadas que colidem com os desafios de desenvolvimento da Indústria 4.0. Além disso, elevam a necessidade de interpretar dados e, assim, promovem a visibilidade de campos como Data Science e Estatística.

O fundador do Fórum de Davos, Klaus Schwab, defende que o "talentismo" sucederá o capitalismo. Embora os países tenham mergulhado, em épocas de conflitos militares, para o desenvolvimento dos melhores sistemas educacionais quando militares e diplomatas até mesmo conduziam as relações internacionais das nações, foi a migração produtiva no mundo do atlântico para o pacífico que evocou a visibilidade do STEM (Science, Technology, Engineering e Mathematics), até o fenômeno da Economia Criativa, exemplificado pelo ambiente de aceleração de startups no Vale do Silício e o movimento do empreendedorismo no mundo, tomar forma e justificar a afirmativa feita por Klaus, acima.

Ainda assim, o mundo evoluiu mais rápido nesse sentido. Apesar dos Estados Unidos terem lideranças mundiais em patentes em diferentes setores, principalmente o tecnológico, a aceleração e funding de startups visando à abertura de empresas e atração de capitais no mercado financeiro corre atrás do relógio diante dos modelos chineses.

Chineses tem replicado o ensino americano e quebraram seu sistema de patentes criando o conceito de Open Source Economy, ainda pouco difundido no Brasil, para aceleração do livre mercado que, apesar do domínio político do partido comunista na China (regime político contrário à propriedade privada dos fatores de produção), vigora em 6 zonas econômicas especiais do país nas quais qualquer um, por exemplo, pode criar, copiar, e recriar Iphones, competindo em velocidade superior ao sistema de patentes, feito para protecionismo intelectual, inovando fundamentos da defesa concorrencial para o desenvolvimento econômico nos moldes liberais.

No Brasil, voltando à realidade, ainda não avançamos sequer ao STEM, devido ao predomínio de embates ideológico remanescentes do século 20 nas instituições de ensino planejadas por governos coletivistas, e nas melhores universidades privadas e públicas é difundido o movimento de empreendedorismo em busca da "the next big idea" (termo usado por Mark Zuckerberg quando imaginou o Facebook em sua concepção, ilustrado em relatos do criador e em filmografias relacionadas à empresa, que significa "a próxima grande ideia" em tradução livre).

Em contrapartida a estarmos na sexagésima nona (69ª) colocação no Índice Global de Inovação, segundo a Universidade de Cornell, INSEAD e OMPI em 2017, temos uma agenda a cumprir com o uso das ferramentas abordadas neste texto.

A primeira revolução industrial, em 1780 na Europa conquistou o domínio da Mecânica. A segunda, em 1870, a eletricidade. A terceira, chamada de tecno-científica, ocorreu com marco inicial em 1969 quando a ARPANET (Advanced Research Projects Agency Network) do Departamento de Defesa dos Estados Unidos foi criada no Pentágono, como a precursora da internet usada para fins militares.

 

 

Fonte: scihi.org

A quarta Revolução Industrial, em andamento, teve origem em projetos estratégicos de alta tecnologia do governo alemão e foi chamada de Indústria 4.0 pela primeira vez na Hannover Messe, uma das maiores feiras internacionais de tecnologia do mundo (neste ano ocorreu de 23 a 27 de abril).

O Ministério da Indústria, Comércio e Serviços junto ao Governo Federal e à Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial elaborou uma sequência de medidas para a implementação da I4.0 (Indústria 4.0) no Brasil. O princípio desta agenda é a fusão dos mundos físico, digital e biológico.

As tecnologias envolvidas são a Manufatura Aditiva (Impressão 3D), a Inteligência Artificial (AI) ou automação do processo criativo e capacidade de aprendizado com uso de softwares e robôs, IoT (Internet of Things ou Internet das Coisas, em tradução livre) que é a conexão de objetos à internet para a coordenação autônoma de suas ações, Sistemas Ciber-físicos ou digitalização de objetos e processos físicos para integração tecnológica e logística buscando ganhos de eficiência e eficácia, e, por fim, a Biologia Sintética que representa a convergência das tecnologias nos campos da química, biologia, ciência da computação e engenharia permitindo a construção desde enzimas, organelas, células e tecidos, até a construção de novos circuitos genéticos e redesenho de sistemas biológicos existentes (seguindo à risca a descrição feita pelo projeto).

Descrição: imagem do retrato feito com AI (Inteligência Artificial) pelo artista “min G max D Ex[log(D(x))] + Ez[log(1-D(G(z)))]” vendido por US$432.500 (dólares americanos) em leilão da “Cristie’s” no Rockefeller Plaza de Nova York na quinta-feira passada (25 de outubro de 2018).

Fonte: www.spiegel.de/forum/netzwelt

O Fórum Econômico Mundial relatou em "Readiness for the Future of Production Report" o Brasil na quadragésima sétima posição em termos de vetores de produção mostrando o baixo potencial de desenvolvimento da indústria brasileira apesar de um legado industrial próximo de países mais complexos, que permanece longe das grandes lideranças industriais no mundo.

Descrição: Índice de Preparo da Indústria Inteligente de Singapura.

Fonte: www.tuev-sued.de

Diante destas informações, podemos extrair a acepção da necessidade de trilharmos um legado industrial com diretrizes mais modernas e, para isso, é necessário aprendermos a digerir o volume de dados que produzimos a nosso favor buscando formar mão de obra qualificada para a Era Big Data que domine a interface aplicada da ciência estatística assim como o fomento tecnológico para a produção de software e hardware em escalas equiparáveis ao mundo em um cenário no qual passaremos a competir com maquinas para a criação destes itens.

A baixa produtividade da mão de obra brasileira  acoplada a diretrizes educacionais atrasadas, elevada burocracia, falta de planejamento, alta carga tributária, parques industriais e projetos abandonados, bem como uma indústria tecnológica incipiente em um ambiente econômico de fragilidade das contas públicas e incerteza política, podem permitir que, quando a corrida das potências tecnológicas atrás da inteligência artificial conquiste o nivelamento em hardware, software e analytics ao volume da Big Data  e sua integração tecnológica à indústria se estabeleça, tenhamos nosso ínfimo market share internacional varrido por longos anos.

Adicionalmente, a exemplo de setores como o do aço (cujo parque siderúrgico nacional é representado por 14 empresas privadas, controladas por onze grupos empresariais que operam 30 usinas distribuídas em 10 estados brasileiros e nos colocam na 8ª posição do ranking mundial em toneladas de aço bruto), precisamos de uma agenda de modernização dos parâmetros nacionais de defesa concorrencial para assim podermos, sem protecionismos, competir livremente no mercado internacional, implementar a indústria 4.0 na Era Big Data captando o rumo moderno da Ciência Estatística tempestivamente à contínua emergência hegemônica do capitalismo e liberalismo econômico dos países abertos, e fomentar uma onda inicial de corrida tecnológica nos moldes chineses e americanos buscando amortecer o impacto do porvir sem contrações econômicas e sociais.

 

Pedro Oberg